vigio teu banho que o calor embaça
me turva a vista
atiça a imaginação
que flutua em pensamentos tomados
pelos desenhos que a cumplicidade dispersa
da espuma com seu corpo faz
tocando cada parte que há pouco me cobria
a água que escorre em você
adentro das curvas há pouco minhas
você que há pouco eu
meu gozo que há pouco seu
você sente o toque dos meus olhos
cola teu corpo ao vidro
desenho de vitral
catedral da única fé que conheço
abro a porta ajoelho
e com a boca em você
rezo 
sustento na ponta dos dedos
a entrega de seu corpo 
os espasmos que provoco
entrando em suas lacunas
meu tato em sua buceta 
o rio que deságuo 
escreva um poema nas pernas assente teus lábios abertos aceite a fala da fome deita teu gozo em mim se esfregue e me come
seu nome cala minha boca
um instante em que mudo
num anseio de beijo
feroz e bruta tríade
de letras em eco
de sonhos de sim
de muros de não
seu nome cala minha boca
ana
meus olhos baixam vista 
fazem do sul do seu corpo
o norte de sentidos 
umbigo abaixo exploram
tato a dentro resumo de mundo
tapo a boca entre suas pernas
amadureço seu gozo
minha viagem sem volta.