na trincheira uma taça de vinho
já pela metade ostentando
na borda a memória de um beijo
indicava aos dois lados
o tom da sede
que logo mataria o líquido e faria desabar
a cortina, a espera e as roupas pelo quarto
os olhares já não se viam
atravessaram-se e liam atrevidos
os desejos dissimulando calma
buceta molhada
confessava 
as mãos já se sabiam,
e espreitavam a hora
de se encherem da pele do outro
ansiosas por seu encaixe
tudo se resumia ao fluido
não, nada se resumia
não se gastava o verniz em palavras
não haveria aposta
as almas estavam na mesa
abertas
assim como abertas pernas estariam
esperavam
e na trincheira só uma taça

vindo.
vigio teu banho que o calor embaça
me turva a vista
atiça a imaginação
que flutua em pensamentos tomados
pelos desenhos que a cumplicidade dispersa
da espuma com seu corpo faz
tocando cada parte que há pouco me cobria
a água que escorre em você
adentro das curvas há pouco minhas
você que há pouco eu
meu gozo que há pouco seu
você sente o toque dos meus olhos
cola teu corpo ao vidro
desenho de vitral
catedral da única fé que conheço
abro a porta ajoelho
e com a boca em você
rezo 
sustento na ponta dos dedos
a entrega de seu corpo 
os espasmos que provoco
entrando em suas lacunas
meu tato em sua buceta 
o rio que deságuo 
escreva um poema nas pernas assente teus lábios abertos aceite a fala da fome deita teu gozo em mim se esfregue e me come
seu nome cala minha boca
um instante em que mudo
num anseio de beijo
feroz e bruta tríade
de letras em eco
de sonhos de sim
de muros de não
seu nome cala minha boca
ana
meus olhos baixam vista 
fazem do sul do seu corpo
o norte de sentidos 
umbigo abaixo exploram
tato a dentro resumo de mundo
tapo a boca entre suas pernas
amadureço seu gozo
minha viagem sem volta.