na trincheira uma taça de vinho
já pela metade ostentando
na borda a memória de um beijo
indicava aos dois lados
o tom da sede
que logo mataria o líquido e faria desabar
a cortina, a espera e as roupas pelo quarto
os olhares já não se viam
atravessaram-se e liam atrevidos
os desejos dissimulando calma
buceta molhada
confessava 
as mãos já se sabiam,
e espreitavam a hora
de se encherem da pele do outro
ansiosas por seu encaixe
tudo se resumia ao fluido
não, nada se resumia
não se gastava o verniz em palavras
não haveria aposta
as almas estavam na mesa
abertas
assim como abertas pernas estariam
esperavam
e na trincheira só uma taça

vindo.

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